Descrição
Publicado originalmente em 1974, Eu, o Supremo é a obra mais emblemática de Augusto Roa Bastos e um dos romances mais complexos e influentes da literatura latino-americana. O livro constrói um retrato ficcional do ditador paraguaio José Gaspar Rodríguez de Francia, conhecido como “El Supremo”, explorando os mecanismos do poder absoluto e sua relação com a linguagem, a escrita e a história.
A narrativa se desenvolve por meio de uma estrutura fragmentada e polifônica, que reúne monólogos, documentos apócrifos, notas marginais e vozes contraditórias. Nesse jogo entre autor, narrador e personagem, Roa Bastos dissolve as fronteiras entre ficção e história, revelando como o poder se sustenta não apenas pela força, mas também pelo controle do discurso e da memória.
Mais do que um romance histórico, Eu, o Supremo é uma reflexão radical sobre a autoridade da palavra e os limites da representação. Ao expor o delírio, a solidão e a violência inerentes ao poder totalitário, o livro questiona a possibilidade de uma verdade única e desmonta a figura do ditador como centro absoluto do sentido. Trata-se de uma obra fundamental para compreender a literatura política latino-americana e os dilemas da escrita diante da história.





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